Páginas

''Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim,
e ter paciência para que a vida faça o resto.''
(William Shakespeare)

28.2.14

{Poesia} Monstro!

Olho.
E não reconheço.
Quem é?

Olho novamente.
E vejo maudade.
Mas, quem é?

Olho.
E vejo um monstro.
O reflexo é meu.

Olho novamente.
Com medo.
Não me reconheço.

Olho.
Não sei o que posso fazer.
Eu sou um monstro!

{Poema} Arregassar as mangas

A estação presente é o verão.
Que calor!
Que vontade de tirar a blusa.
Ou arregassar as mangas.

Não posso fazer isso.
Não me permito mostrar.
Sinto vergonha!
Tenho marcas.
Feitas por mim.
Causadas pela dor.

Se eu arregassar as mangas,
O que vão pensar?
Que sou louca?
Talvez eu seja;
Mas não estou pronta para revelar.

{Poema} Em comum

Sentada na janela
olhei para cima e avistei ela.
A lua.
Tão linda e solitária,
tão majestosa e abandonada.

Eu e a lua temos algo em comum.
Somos sozinhas.
Sem ninguém por perto.
Só que eu escolhi a solidão.

Não tenho ninguém para culpar
a não ser a mim mesma.
Eu me afastei.
Mas agora tenho uma companhia;
a Lua.

{Poema} Culpa esmagadora

Culpa.
É um sentimento que me assombra
e me desmonta.

Eu errei contigo
causei-lhe dor
e quem mais sofreu fui eu.

O que estou esperando para
pedir desculpas?
Não sei!

{Poesia} Deserto Massante

Fui alanceada, machucada,
julgada, desprezada
sem dó nem piedade.

Para não sofrer mais
Ergui.
Agora que as derrubei,
percebi o deserto massante que criei.

Perdi a cada dia a oportunidade
de cultivas um lindo jardim.
Tenho que viver a cada dia olhando
a visão que construí por medo.

Saber se poderei plantar um jardim mais bonito
é algo que não sei se conseguirei,
mas sei que tentarei.
Ou serei covarde e reerguerei
os imensos muros ao meu redor,
por arrependimento de ter escolhido tal.

{Poesia} Um grande ponto de interrogação ambulante

As coisas mudaram.
Nada mais é como era.
Uma mudança desconhecida,
Tomei-a sem conhecer as consequências.

Decidi superar e seguir em frente.
Seguir a pequena luz.
Era o caminho que me tirava da escuridão.

Agora, eu já não sei quem sou.
Antes, eu não era nada,
porque a tristeza me consumiu.
Agora, eu já não sei do que gosto.
Antes, eu tinha muitas certezas.
Agora, eu já não sei o que me agrada.
Antes, eu sabia.

Vivendo a cada dia,
Tentando se descobrir.
E transformando-se cada vez mais
Em um grande ponto de interrogação ambulante.

21.2.14

{Poema} Só sobrou o nada

Perdida.
Num lugar sem caminho e sem guia.
Parece o deserto.
E é tudo culpa minha.

Estava trancada dentro de uma caixa.
Totalmente escura e grande.
Estava mais perdida lá.
Mas, mais certa do meu caminho.

Tudo o que me resta foi o nada.
E um desespero por preenchimento.
Tranquei-me numa caixa.
Isolei-me do mundo.
E achei que isso era ser feliz.

Confundi felicidade com isolamento.
Mas nunca fui tão infeliz como sou agora.
Porque percebi tudo o que desisti,
Por achar que era feliz.

17.2.14

{Poesia} Os sentimentos

Percorrem um longo caminho.
Andam e às vezes correm,
Até, finalmente, chegarem ao coração.
Estão presentes nas misturas,
E em pequenas coisas.

São como pequenas pessoas;
Fazem o que querem.
Possuem mais liberdade que nós.
E, principalmente, são os culpados
Por nossas atitudes.

Alguns tentam erguer enormes barreiras
No meio de seus caminhos.
Simplesmente porque os detestam
E não aprenderam a se permitir.
Permitir-se sentir.

A única coisa inevitável nada
É sentir.

 

{Poesia} Quem sou eu?

Eu me questiono.
Eu me obrigo.
Eu me forço.
Eu me pergunto.

Eu me questiono sobre tudo na vida.
Eu me obrigo a não ser quem sou.
Eu me forço a ser o que admiro.
Eu me pergunto:
Quem sou eu?

Mas, acho que descobri.
Acho que me achei.
Acho que me encontrei.

Descobri que sou a mistura de duas coisas:
O que detesto.
O que admiro.

Sou a mistura perfeita de
Qualidades e defeitos.
De perfeição e imperfeição.

Estou aprendendo a agir
Como eu sou realmente.
Não vai ser fácil,
Mas estou disposta.

{Poesia} Ao mesmo tempo

Estou completa,
mas vazia.
Estou preenchida,
mas vazia.
Estou livre,
mas presa.
Estou feliz,
mas triste.
Estou estável,
mas instável.
Estou colorida,
mas transparente.

Simplesmente completa e incompleta.
Será isso possível?
Não sei o motivo de tal.
Paraíso e infortúnio.

É a maldita tristeza,
Que me trouxe um vício.
Um vício cruel e fatal,
Que não consigo controlar.

E o meu ''porém'' é diferente.
Porque o meu porém é:
Eu sou forte.

{Poesia} Prisão Pessoal

Vem do nada.
Encontra-me nos momentos inoportunos.
Acha-me com facilidade.
Busca-me a todo custo.
Procura-me com desespero.

Simplesmente do nada.
Não aguenta quando vê que estou partindo.
Tenta me agarrar a todo custo.
Coloca-me presa.
Uso algemas.

Uma prisão criada por mim,
E para mim.
Eu posso sair quando desejar,
Mas não consigo.
Pergunto-me há todo instante:
Por que?

Eu desejo.
Eu me prendi.
Eu sou fraca.
Eu não consigo.
Eu simplesmente me prendi.
E não consigo lutar.
Não com eu mesma.

{Poesia} Perdida!

Eu não sei.
Sinto-me no meio da perdição.
Nada parece concreto.
Nada parece certo.
Não tenho certeza absoluta.
Não sei de nada.

Eu simplesmente não sei de nada.
Ontem, eu tinha certeza de quase tudo.
A dor era grande quando fechei os olhos.
Hoje, a incerteza me achou.
E a dor aumentou.

É tão ruim estar perdido.
Faz-me ter vontade de fazer algo que não devia.
Estou sendo atacada de todas as formas.
Ainda mais agora.

Estou perdida,
E não sei o que fazer.
A perdição me enfraquece.
Mais do que já estou.

A única coisa que me resta
É saber lidar com isso.
E esperar para que esta perdição
Simplesmente vá embora.
E nunca mais volte.