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''Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim,
e ter paciência para que a vida faça o resto.''
(William Shakespeare)

13.12.13

{Texto} O Tempo Psicológico

     Sua casa é grande demais para a solidão que a cerca. Cada cômodo da casa traz um tempo diferente. Nas paredes estão escritas as memórias vividas em todas as suas tinturas; quando descascam as memórias ainda continuam sobressaltadas e as mágicas palavras se sobressaem em cada nova página que é fixada em algo pronto para ser escrito. A cada parede um pedaço da sua tragédia existente.
     Na cozinha, a época educada, gentil e simples do tempo de 1955. Seu marido e ela estavam casados há apenas alguns poucos anos quando receberam a notícia de que teriam um filho. Lembra-se que estava sentada na cadeira de madeira. Ansiosa, nervosa, impaciente e, principalmente, feliz. Aguardava inquieta seu marido chegar para lhe contar a boa nova. Passaram-se minutos, que mais pareceram horas, e seu marido finalmente  chegara. Ao lhe contar a notícia ficou parado por alguns segundos, depois sorriu e beijaram-se apaixonadamente.
     Na sala, o que mais marcou foi o período de gestação. As noites na qual ficaram sós, ele com a mão em sua barriga, contando como havia sido seu dia e ela com a mão repousada por cima da dele, ouvindo alegremente suas situações.
     No banheiro, ela o tinha visto muitas vezes tomando seu banho e relaxando seus nervos que ficavam em frangalhos quando algo não dava certo.
     No quarto, as memórias são mais emocionantes. Passaram as noites conversando e fazer planos para o futuro de sua família. Nas noites que faziam amor, entregavam-se em sua totalidade ao outro e logo não existiam dois, mas sim um somente.
     O quarto rosa, como esquecia do amor gerado de seu próprio ventre?! O nascimento de sua filha foi um dos dias mais felizes. Sua infância imaginária, sua adolescência complicada e o período depressivo e triste a qual fora arrancada no auge de sua vida por um crápula que viu uma mulher para tentar roubar-lhe. Ela nunca superou a morte de sua filha. Chorou por dias e quando finalmente estava começando a melhoras, perdera seu marido. Uma doença rara, sorrateira e sem cura o pegou e levou-o para longe dela.
     Já completamente desolada, deitou-se em sua cama e dormiu. Mas não percebera que dormiria para sempre. Seu coração não aguentando tanta dor e angústia que acabou parando, fazendo assim com que sua alma seja liberta e reencontrando sua família.

27.11.13

{Texto} Espaço de Tempo

     Por um curto tempo, sinto que tudo está bem. Por apenas algumas horas vejo as coisas boas. Por apenas alguns minutos estou sorrindo com sinceridade. Por apenas alguns segundos estou feliz.
     Por um curto tempo, consigo me distrair de tudo que carrego em minhas costas. Coisas que ocupam minha cabeça acontecem; isso faz eu não pensar mais; isso faz eu não sentir mais; isso faz eu não me torturar mais; isso faz eu esquecer de tudo; isso faz eu pensar que nada de ruim acontece. Sinto que tudo está bem.
     Por apensar algumas horas, meus olhos enxergam o que tenho de bom. As coisas ruins não as tampam mais, nem as esmagam. As coisas boas estão mais fortes que eu e sobrevivem sem utilizar tanta força; As coisas boas destróem e destroçam as coisas ruins. As coisas ruins morrem, dando mais vida as coisas boas. As coisas ruins perdem as forças. As coisas boas ressurgem. Nada mais pode as impedir de se mostrarem como são. Nada mais pode as esconder. Nada mais as faz se tornarem invisíveis. Eu as enxergo. Vejo as coisas boas.
     Por apenas alguns minutos, não minto ou sou hipócrita. Não o faço para esconder minhas tristezas. Não o faço para ninguém perguntar. Não o faço para tentar me convencer. Não o faço para preencher meu rosto com mentiras. Não o faço para não chorar. Não o faço porque sou fraca. Não o faço. Estou sorrindo com sinceridade.
     Por apenas alguns segundos, o sentimento não escapou. Espalhou-se. Meu medo foi embora. Dominou-me. Os sentimentos negativos me abandonaram. Completou-me. A tristeza partiu. O pensamento estúpido de que eu irei desacostumar e não saberei lidar com as situações cessou. Estou limpa. As coisas ruins foram embora. Tenho vontade de fazer as coisas. Tenho vontade de falar com as pessoas. Não tenho vontade de me isolar. Não tenho vontade de desistir. Tenho vontade de prosseguir. Tenho vontade de passar por cima das dificuldades. Tenho força para superar meus desafios e limites. Eu sinto que consigo. Eu sinto meu propósito. Eu sinto minha missão. Eu consigo ser normal. Eu consigo ser mais sincera. Eu consigo conhecer novos céus. Eu não sinto medo. Eu sou eu mesma. Eu sou corajosa. Eu acredito com mais fé. Eu vejo a verdadeira veracidade. Eu consigo. Estou feliz.
     Provisoriamente...

{Poesia} Sentimentos Desprezíveis

Eu simplesmente os detesto.
São tão ruins que os evito.
E de tanto os evitar,
Sinto-os quase há todo instante.

Eu tento,
Esforço-me
Para não senti-los.
Mas minhas dificuldades emocionais
Impedem-me de controla-los.

Ciúmes, pessimismo,
Inveja, hipocrisia,
Desejos ruins.

Mas todo ser humano os sentem.
Eu não gosto de senti-los,
Pois me sinto o pior ser humano
Do mundo.

Não sei controla-los.
E todas as minhas tentativas são em vão.
Como fazer?
Talvez me afastar
De todos os motivos
Que me fazem os sentir.
Eu os odeio.

{Poesia} Estradas da Felicidade

A partir do momento em que nascemos,
Nossas estradas são construídas.
Alguns nos levam aos caminhos do conhecimento.
Vida e Deus.
Outros ao desdém, indiferença e morte.

Escolhemos os caminhos que seguimos.
Mas sempre com receio do que acontecerá.
A sempre uma surpresa nas estradas,
Entretanto nunca sabemos o final.

Durante nossa vida, sempre a aqueles que
Nos acompanham.
Que nos fazem felizes.
Que dariam de tudo para ver
Nossos sorrisos.

Dê valor a quem te faz feliz.
Siga os caminhos certos,
Mas, principalmente, seja feliz.

{Poema} Minha Fascinação

Na escuridão você vive,
Mas tem luz própria.
Na imencidão se encontra,
Porém nunca está sozinha.

Você não da vida a outros seres,
Mas me revive dia após dia.
Minha inspiração, paixão, companheira,
Melhor amiga, confortadora, confidente,
lago cinza, conexão. Simplesmente minha vida.

Ao meu alcance você
Não está.
Distante... Bem distante...
Mas não importa o lugar
Onde está, sempre nos encontraremos
Na minha janela.

{Poesia} Dê um final...

Essa é a história de alguém.
Um alguém triste.
Um alguém que não enxerga
Mais as cores da vida.
Que só sofreu durante a curta existência.

As pessoas machucaram muito
Esse alguém.
Um alguém bem sensível,
E ninguém viu isso.
Ninguém quis ajudar.
Simplesmente assistiam a tudo
Sem fazer nada,
E, às vezes, até participavam do
Motivo do oceano desse alguém.

Esse alguém fazia de tudo
Para se livrar das tristezas
E do oceano afundador
Que parecia não ter fim.

Mais e mais lágrimas antes de dormir.
Mais e mais dor para aguentar.
Dia após dia.

Em questão de tempo,
A dor estava entranhada na própria carne.
Cada marca em cada lugar
Mostrava a fragilidade e a dor
De um alguém com coragem para sentir
E mostrar a outras pessoas.
Que tanto desprezaram, machucaram,
Torturaram, magoavam,
Castigavam e odiavam
Por ver uma pessoa sendo pessoa,
Por ver alguém diferente,
Um alguém com cor.

Esse alguém não aguentava mais
Não ter ninguém para conversar
E dar risada.
Esse alguém não conseguia ver
Beleza na solidão como muitos viam.
Esse alguém não conseguia ver beleza
No que era considerado normal.

Apesar de esse alguém ter sido tão maltratado
Por aqueles de sua própria espécie,
Apesar de toda a dor e sofrimento,
Apesar de todos os motivos para se transformar
Esse alguém continuou sendo quem é.
Nunca mudou ou perdeu sua essência.

Seu modo desagradável de vida
Sufocava.
Esse alguém já não aguentava mais
Toda a dor diária.
Já não aguentava não ser aceito(a)
Por ser diferente.

Um dia esse alguém
Decidiu que acabaria com tudo.
Não encontrava mais significado
Para sua vida.
Sua missão tão distante
Quanto nunca esteve.
A perdição nunca foi tão familiar,
Nunca rondou tanto.

Encontrou o lugar perfeito para
Dizer adeus a vida e a tudo.
Uma ponte.
Um lindo rio enfeitava suas pernas.
E lá se encontra um alguém.
Sem nome ou idade.
Sem cor e sem vida.
Algo quase transparente.

O final desses versos está em suas mãos...
Você pode ajudar alguém
A escrever o próprio final.
...

23.11.13

{Poesia} Medo Estúpido

Tenho um medo estúpido.
Mas quem não tem um, dois ou vários?
Tão estúpido que tenho vergonha
De escrevê-lo nessas linhas.
Mas, por mais estúpido que seja
Tem um fundo muito lógico.
E humano.
Talvez eu não seja a única.
Talvez mais pessoas que eu pense o tem.
Talvez a humanidade toda.
Tenho medo do tempo.
Está passando cada dia mais veloz.
O futuro está tão próximo.
E o tempo só o faz ficar mais próximo.
Não sei o que me reserva.
Minhas escolhas e decisões
Não sussurram para mim uma ideia,
Simplesmente não dizem nada.
Tão estúpido.
Logo minha vida mudará completamente.
Tanto que não a reconhecerei.
Somente reconhecerei a eu mesma.
Talvez nem isso.
Tempo é algo tão ruim e tão bom.
Passa mais rápido quando não queremos
E demasiadamente lento quando o imploramos
Que passe depressa.
Tão incrível e maravilhoso
Que o temo.

{Poesia} Supere-se

Eu já pensei.
Eu já senti.
Eu já cometi.
Eu já me convenci.
Eu já agi.

Pensei, senti, cometi
Convenci-me e agi
Como uma fraca.
Já disse incontáveis vezes:
''Eu não consigo.''

Quantas vezes
Você já o fez?
Muitas?Poucas?
Todo mundo já o fez.

Não ligue para tal
Pensamento estúpido.
Porque se não conseguisse
Não estaria na batalha
Chamada vida.

Você é forte.
Você consegue.
Você é invencível.
Você é lutador (a).

Não importa qual seja
O seu desafio.
Acredite que é capaz,
Pois você é.
Quando começar a acreditar
Conseguirá superar o seu desafio.

Se não acreditar
Em si mesmo
Ninguém o fará.
Não espere que as pessoas
O farão,
Porque não farão.

Supere-se!
Acredite!
Sorria!
Sinta!
Viva!
Lute!
Você é capaz!

Não se dê por vencido.
Você passará por cima
De qualquer coisa
Que desejar.

{Poesia} Mais quantas vezes?

Mais quantas vezes?
Mais quantas vezes escreverei?
Mais quantas vezes pensarei?
Mais quantas vezes direi?
Mais quantas vezes desejarei?
Mais quantas vezes me convencerei?
Mais quantas vezes quererei?
Mais quantas vezes me depararei?
Mais quantas vezes ouvirei?
Mais quantas vezes lerei?
Mais quantas vezes mudarei de ideia?
Mais quantas vezes chorarei?
Mais quantas vezes perderei?
Mais quantas vezes sangrarei?
Mais quantas vezes me torturarei?
Mais quantas vezes doerá?
Mais quantas vezes sentirei?
Mais quantas vezes estarei errada?
Mais quantas vezes me enganarei?
Mais quantas vezes guardarei?
Mais quantas vezes silenciarei-me?
Mais quantas vezes estarei fechada?
Mais quantas vezes me sentirei fraca?
Mais quantas vezes sentirei que não consigo?
Mais quantas vezes isso irá acontecer?
Mais quantas vezes terei que lutar comigo?
Mais quantas vezes terei que lutar contra tudo?
Simplesmente, mais quantas vezes?

{Poesia} Dor

Dor.
Simplesmente dor.
Dói tanto.
Nos meus pulsos,
No meu miocárdio.

Dor.
Simplesmente dor.
Que aparece do nada.
Dor.
Repentina.

Dor.
Simplesmente dor.
O que fazer?

Dor.
Simplesmente dor.
Só dói.
Mas, por que dói?

Dor.
Simplesmente dor.
Tão pequena.
Tão insignificante.

Dor.
Simplesmente dor.
Não vejo você com grandeza,
Só a vejo com pena.

{Poesia} Quebra-Cabeças

Encarar uma folha de papel.
Olha e olha...
Tudo o que ouço são
Os berros do silêncio
e as ideias na minha cabeça,
fazendo tanto barulho.
Batendo entre si.
Uma completando a outra.
Olha e olha...

Uma palavra,
Uma frase,
Um verso,
Uma estrofe.
Os versos soltos,
Que antes voavam
No céu quase infinito
E diferente da minha cabeça,
Agora se conectam como
Um quebra-cabeças.

Cada letra uma peça,
Cada verso uma imagem.
Cada palavra um pensamento.

Olha e olha...
A folha de papel.
Está desenhada;
Não com figuras,
Mas por palavras.

28.10.13

Ideias Inconclusivas

     Fico pensando e pensando. Sempre com ideias opostas e chegando a opiniões diferentes. Fatos e detalhes que parecem conclusivos são mais complexos e precisam ser analisados de forma minuciosa, mas mesmo fazendo ainda não posso chegar a uma conclusão. Complexidade demais para uma mente humana. Talvez, Deus os criou complexos demais justamente para não compreende-los e sim aprecia-los.
     Somos tão diferentes uns dos outros. Cada um com suas habilidades, defeitos e escolhas. Cada um agindo e sendo do jeito que é. Alguns querendo ser outra pessoa por não se contentarem com as pessoas maravilhosas que são. Porém mesmo tentando agregar em si qualidades de outras pessoas, ainda existe algo incrivelmente único. Toda pessoa tem algo de especial, pois todos são únicos. Mesmo quando não acreditam nisso. Vejo pessoas como estrelas. Há um imenso céu cheio de estrelas, cada qual com seu brilho especial. Algo que a torna memorável. Alguns tristes ficam fracos, mas quando passam a acreditar em si mesmo brilham tanto que todos a notam. Outras brilham demais, mas não sabem o seu verdadeiro. Aquele é somente algo superficial. Existente só para dizer que brilha quando na verdade não compreendem a complexidade de si mesmo. Mas isso tudo é uma fase e logo passa.
     Somos tão iguais. Tão parecidos que alguns insistem em criar padrões e classificar a todos, não vendo mais distante do que a mente fraca, que criou, vê. Tão estúpidos são. E ingênuos e inseguros são aqueles que aceitam ser padronizados não vendo nada de especial em si mesmos. Essas pessoas buscam desesperadamente um lugar familiar que possam chamar de seu quando lhes for perguntado e algo que possam se orgulhar de fazer parte, e compreensão, pois não estão recebendo no lugar onde estão e acabam o buscando em outros lugares até encontrar. Alguns passam a vida inteira procurando e nunca acham. Entretanto numa jornada nada muito significativa, mas descabível. Alguns estão perto de achar o que procuram, mas as montanhas são pesadas demais para forças cicatrizadas e acabam se perdendo ou perecendo.
     Ainda não consigo concluir minhas ideias, pois ambas estão corretas ao seu modo. Talvez sejamos as duas coisas. Ambas se completam e mostram pontos de vista diferentes, para que possamos enxergar os dois lados. Para assim podermos encaixar corretamente essas peças de quebra-cabeças.

{Poesia} Sem forças para Lutar

A vida gosta de nos dar desafios.
Grandes montanhas para erguermos nas costas,
Mas quando não superamos um desafio anterior
Justa-se com o novo que a vida nos dá,
Fazendo uma gigantesca montanha,
Que não conseguimos carregar.

Somos fortes até um momento da nossa vida,
Entretanto chega uma hora
Que não conseguimos mais erguer montanhas.
E, acabamos acreditando que somos fracos.
No fundo, temos um pouco de fraqueza.

A fraqueza me dominou.
Não consigo mais erguer montanhas.
A vida me pressionou até onde pude.
Fui vencida e não consigo mais lutar.
Perdi todas as forças que obtinha.
Foram mortas por desafios pesados demais.

Dizem-me para não parar de lutar,
Mas não entendem que já não o posso fazer.
Fui vencida e aceito minha derrota.
Que acabou resultando na minha morte.

E, aceito-as de bom grado.
Sem reclamar e hesitar.
Ela sempre me rondou,
E agora me conseguiu.

24.10.13

Luis Fernando Veríssimo

'' Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas ''. 

Meu rosto virou um rio.

Estou numa tristeza tão profunda, que no lugar dos meus olhos estão grandes bolsas d'água que explodirão a qualquer momento. Trilhando seu caminho até cair; fazendo do meu rosto um rio.

23.10.13

{Conto} Suicídio.

     O poço era grande, escuro, maldoso, sem saída e principalmente trancado a sete chaves. O desespero tomou conta de mim. A esperança de que um dia sairia dessa grande escuridão era quase extinta, nunca acreditei que sairia sozinha; estava certa.
     Esperei por muitos, confiei em pessoas erradas, mas a hipocrisia era tamanha que o falso sentimento de amizade era implícito, só eu não percebi.
     Aguardei ajuda, mas só afundei mais. Não tinha mais no que segurar. Fechei meus olhos e continuei caindo buraco negro a fundo, desistindo de que um dia sairia dali. Os humanos só olhavam, comentavam entre si, e não me estendiam a mão para me ajudar.
     A luz não era mais visível, só o que podia se ver era a escuridão, sangue saindo dos meus pulsos, correntes lacrando qualquer abertura pela qual poderia passar e grandes cadeados.  O único som audível era o silêncio, o sussurros de palavras dizendo:
     - Você sabe como acabar com isso.
     - Ninguém irá perceber.
     - Por que ainda insiste?
     - Acabe logo com isso.
     - Ninguém gosta de você.
     - Para que você existe?
     - Qual é o sentido disso tudo?
     Estava a um ponto de querer fazer isso. Fazer esse maldito mundo acabar. Dar um ponto final a isso. Quem iria me ajudar? Sou uma pessoa insignificante.
     Quando a esperança desaparecera algo acontecera. Um barulho alto fora ouvido. Era quase impossível não ouvir, era tudo tão silencioso, dava-se para ouvir qualquer coisa.
     Uma figura se aproximava rapidamente. Sem eu perceber pegou minha mão e foi me conduzindo lentamente a saída mais distante. Quando dei conta da situação, já não estava dentro daquele poço. Uma luz, uma bela paisagem, mas, acima de tudo, luz.
     Andei e andei. Apreciei as paisagens que via, todo o bem-estar que sentia. Felicidade era visível e, às vezes, preenchia-me por completo. Apreciava com toda a admiração que podia sentir.
     Mas, não durou muito.
     Logo me vi sem luz para admirar. E tudo o que via e sentia era escuridão. Poderia haver escuridão mais escura que a própria escuridão? Talvez. A minha.
     A figura tentava se aproximar. Chamava-me com desespero.
     - Segure! Não desista! -gritava e gritava. Não a ouvia tão audivelmente, somente um sussurro diferente no meio de gritos iguais.
     Num primeiro momento, culpei algo desconhecido por não conseguir alcançar a figura, mas logo me culpei, pois não queria sair do poço maldoso e totalmente conhecido. Não gosto de coisas desconhecidas.
     Não existiam mais esperanças para mim. Caí mais fundo e não queria sair. Passei tempo demais culpando algo que não conhecia, mas deveria ter passado todo esse tempo culpando a mim mesma.
     Fechei meus olhos, abri meus braços e preparei-me para cair mais e morrer.
     - Não desista! Segure! Segure! - gritava e berrava a figura. - Por favor!
     - É tarde demais para mim. Não tenho mais armas para lutar. Só posso me entregar. Desculpe. Perdeu tempo e esforço, não queria que tivesse se dado a tal trabalho. - olhei para ele. Sua expressão era de pura consternação e desespero - Desculpe! - gritei.
     Deixei a morte terminar de me destruir. Não haveria muito trabalho. Não sobrou nada. A dor não era muita. Nada pior do que meu miocárdio já não havia sentido.
     Não durou muito tempo. Logo já não tinha mais consciência de nada. Tudo passou como um sonho distante, que desaparecera como fumaça.
     - Você foi fraca e desistiu. Não tentou lutar. Sua fraqueza será marcada em ti. - sussurrou uma voz que não conhecia.
     E pouco importava, eu já havia morrido.

18.10.13

{Conto} Senhor da Morte

      Era noite, a movimentação na rua era escassa. O céu ameaçava chorar, talvez não aguentando tanta coisa que via. Ultimamente, o céu tem sido mais forte que eu. Suportando com sucesso todo o sofrimento que vê e sente sem chorar e sempre sorrindo, não só com os lábios, mas também com os olhos; com sinceridade, não com falsidade e hipocrisia. Algo que não vemos com muita frequência nos dias atuais.
      Ao meu lado direito estava a rua pouco iluminada e vazia. Totalmente morta, como se vidas não tivessem passado ali. Simplesmente insignificante e nada. É incrível como as coisas mudam, de algo importante e cheio, vivo, rico vira simplesmente nada, algo sem vida, algo morto, sem respiração.
      Ao meu lado esquerdo estava uma floresta alta, e bem ao longe uma grande árvore. Como se fosse a árvore do mundo. Com gigantescos galhos e grandes folhas verdes, tão verdes que pareciam muito maduras, cairiam a qualquer momento. Deixando a grande árvore nua. Exposta para que quiser ver, ao frio e grandes tempestades que assombram nessa época do ano. Totalmente desprotegida. Uma criança que precisa de proteção.
      Meus pés pararam de repente. Impedindo-me de continuar meu caminho. Obrigando-me a olhar a grande árvore. Meus olhos presos como um peixe na boca de um urso.
      Um raio explodiu no céu ao longe. Ventos irados me atingiram em cheio. Meus enormes cabelos querendo desgrudar do meu couro cabeludo. Os fios chicoteavam meu rosto. As folhas no chão se espalharam sem rumo, chegando a invadir o asfalto esburacado. Urubus berravam com suas vozes enervantes; rondando a árvore desesperadamente. Um vazio preencheu o ambiente. A perdição caiu nesse lugar. Folhas pretas apareceram do nada e delas se formou uma figura sinistra. Uma silhueta toda encapuzada de preto surgira nos últimos galhos. Ele não tinha rosto, era tudo negro. Começou a olhar para mim. Estava totalmente inerte. Só conseguia olhar aquela criatura sobrenatural que me fitava descaradamente e cruelmente.
      - Seus amados serão os próximos. - disse com uma voz rouca, grossa e sem piedade.
      - O que quer dizer? - perguntei, tentei parecer firme, mas minha voz saiu como uma vítima perante a morte.
      - Seus amados serão os próximos. - voltou a repetir e logo em seguida começara a rir com total maldade.
      Em poucos instantes a figura se desfez do mesmo jeito que surgira. Só com uma diferença, um odor totalmente fétido ocupara o ar. Um cheiro de corpo em decomposição.
      Fiquei fitando por mais alguns instantes o que agora era nada.
      Continuei meu caminho. Não morava tão distante daquele lugar.
      A música explodia nos fones de ouvido. A figura sinistra não saia da minha cabeça. Sentia olhos em minhas costas, como se estivesse alguém atrás de mim. Seguindo-me, observando cada passo meu. Pronto para apontar o dedo na minha cara, julgar-me, dar risada dos meus erros e fracassos. Minhas pernas se apressaram. Com a velocidade que obtive não vi um buraco na calçada mal feita e caí. Sangue escorria pelos meus joelhos, braços e mãos. Assustada, tratei de levantar apressadamente e correr para casa.
      Estava tudo escuro. Por eu morar sozinha não tinha ninguém para me esperar. Acendi a luz do corredor principal e fui até o banheiro dar um jeito nesses ferimentos. Sentei na privada e limpei-os, porém quanto mais os limpava mais sangue saia. Enfiei os joelhos na água corrente e logo esta se tornou vermelha escura. Logo depois, o sangue cessara. Soltei um suspiro de alívio.
      - Não tão cedo. - ouvi um sussurro ao pé da minha orelha, rouca e maldosa, parecida com a da figura sinistra. O medo me preenchera por completo.
      Olhei pros meus joelhos e um líquido preto e sórdido começara a escorrer no lugar do sangue. O que é isso? Pensei comigo mesma. O pavor me invadira.
      Uma risada ecoou pelo banheiro. Alguém estava se divertindo com o meu desespero, mas era comum na minha vida e de muitos outros. Pessoas são cruéis, dão risada das desgraças dos outros, sempre felizes com pessoas que estão em situações inferiores a sua própria.
      Minha visão começou a ficar embaçada. Não sentia mais meus membros e não conseguia distinguir mais a realidade. Uma forte sensação péssima começou a dominar meu corpo. Meu cérebro não raciocinava normalmente. Não demorou muito, logo senti o chão abaixo de mim. A realidade me escapara.
      A sensação ruim ainda não deixara meu corpo, mas, pelo menos, meu cérebro voltara ao normal. Levantei-me do chão, perguntando-me a todo instante o que havia acontecido. Sentei na privada e levantei minha cabeça, fazendo assim a sensação me deixar. Em poucos minutos tudo voltara ao normal. Olhei para os meus joelhos e os ferimentos já estavam entrando em processos de cicatrização.
      Sai de lá e fui a cozinha, meu estômago berrava pedindo comida. Enquanto preparava tudo, liguei a pequena TV no canal principal de noticiário. Um grande acidente ocorrera, um corpo foi queimado por completo, a única parte que sobrara  foi o rosto.
      - Que tragédia. Que Deus abençoe a família e amigos. - disse para o silêncio.
      Assim que terminei de comer, escovei meus dentes e fui pra cama.
      Ao desligar a luz, senti que não estava sozinha no quarto. Um par de olhos observava cada respiração minha. Tentava a todo momento me convencer de que era besteira minha e coisa da minha cabeça. Fechei os olhos e permiti que o nada me consumisse. Senti dedos tocarem meu rosto, o que me fez gritar de medo e ligar as pressas o abajur ao lado da cama. Não havia ninguém no quarto, tudo vazio e silencioso - a não ser pelo fato de estar totalmente ofegante e o quarto estar ecoando o mesmo.
      - Quem está ai? - disse com a voz tremula - Tem alguém ai?
      Depois de tanto esperar alguém aparecer e quase ter um ataque cardíaco, finalmente estava calma. Isso foi assustador, pensei comigo mesma.
      O sono me pegara. Deixei a luz acesa, com medo de apaga-la. Estava quase dormindo e uma risada fria e cruel ecoou no fundo dos meus ouvidos. Estava cansa o suficiente para não abrir os olhos.

      Gritos de diversão, altas risadas, palavras desprovidas de inteligência, palavrões. Não tinha mínima consciência do que estava acontecendo de fato.
      Meus amigos estavam comigo. Um lugar apertado e fechado, as janelas estavam com pequenas frestas abertas. Concluí que, talvez, estivesse dentro de um carro. Olhei pro lado e vi um amigo com uma garrafa de vodca na mão. Olhei pro outro lado e vi uma amiga com outra garrafa na mão. Meu amigo no comando do carro estava com uma garrafa de cerveja e nas minhas uma de tequila.
      Bebíamos e gritávamos. Isso não nos cansava. No rádio do carro a voz do Axel Rose gritava, o que me deixava surda aos poucos. Nossa cantoria desafinada estragava a música.
      - Hei gente. Saca só. - disse gritando meu amigo motorista, chamado a atenção de todo mundo. Logo em seguida tirou as mãos do volante e virou a garrafa na boca, mais derrubando em si mesmo do que bebendo.
      O carro começou a ziguezaguear pela estrada. Altas risadas foram ouvidas.
      - Acho... que... vamos... bater... em algum... lugar. - disse, mal conseguindo pronunciar tais palavras de tanto que dava risada.
      Uma figura surgira no nosso caminho. Toda preta, mal dava para ver o rosto. O motorista logo colocou suas mãos no volante e desviou do que seja lá o que era aquilo.
      Minha cabeça se transformou num ioiô, ia para frente e depois voltava para trás. Uma forte dor atingiu meu corpo, principalmente no pescoço e cabeça. Outra dentro da cabeça tomou conta de mim.
      Não durou muito, a dor era demasiada, logo se apoderou de mim. E, com isso, perdi a consciência.
      Voltava a mim aos poucos. Abri os olhos lentamente. O silêncio berrava no ambiente. Uma enorme árvore estava na minha frente. Ao olhar pro lado vi uma silhueta familiar parada a poucos metros de onde estava. Já a havia visto, mas onde? A risada maligna e totalmente sem misericórdia foi feita por ele. Logo a silhueta sumiu entre corvos e folhas pretas.
      Um carro parou e um casal saíra. A mulher parou a minha janela, viu-me acordada e sua expressão viveu a preocupação e o desespero.
      - Aguente! Chamaremos ajuda. - disse apressadamente e logo saiu com o celular na mão.
      Minha audição ficara mais aguçada. Ouvia um barulho calmo. Gotas caindo em algum lugar. Aquele som me deu paz. Sentia que logo as coisas acabariam. Fechei meus olhos e ouvi um barulho alto, seguido de um grito de susto. Uma dor pelo meu corpo ameaçara me dominar. Não diminuía, só aumentava. Abri meus olhos e uma visão de horror me atingira. O carro estava sendo devorado pelas chamas. Meu corpo sendo decomposto comigo viva. Meus amigos morrendo. Aqueles que tanto amo.
      Não conseguia sair do carro. Depois de tanto lutar, logo desisti. Sabendo que qualquer tentativa seria falha e vã.
      - Eu disse que seus amados seriam os próximos. Foi ótimo ter os acompanhado. Sua morte foi só o começo do seu sofrimento. - disse a voz do senhor da morte.
     
      - Uma mulher foi encontrada queimada em seu quarto nesta manhã. Policiais não sabem como a morte aconteceu, mas suspeitam de um assassino em série. Outras três vítimas e o carro de uma delas foram encontradas no mesmo estado.

9.10.13

Não gostamos do que nos desconhece

Julgamos somente o que nos desconhece.

Mais do que se possa enxergar

Os cegos e estúpidos pensam que o mundo é uma grande bola redonda, mas o mundo é muito mais que isso. Viver na mesma mediocridade é não ver outra forma de viver. E não saber ver as coisas de outra forma. 

Negligente e sufocado

O ser humano de hoje é negligente e sufocado. Sempre se obrigando a fazer tudo certo, não tendo a opção de errar e com isso, na maioria das vezes, esquece que sempre tem o caminho que nos leva ao início. Deixa tudo isso de lado para se obrigar, deixa o poder de saber escolher, de não encarar as coisas como elas são de verdade. E quem é assim, achará que tudo isso não passa de uma metáfora poética, mas digo-lhe algo, no momento em que abrir seus olhos passará a visualizar as coisas igual a mim e será mais feliz.

Fracassos

Não tenha medo ou vergonha de fracassar. Fracassos nada mais são do que planos que não dão certo e grandes lições. Eles existem para que aprendamos e tenhamos a chance de recomeçar. Mas não conte sempre com isso, aquele que muito fracassa não é sábio e sim desprovido de inteligência. Dê seu melhor em tudo. Estarei desejando seu fracasso.

{Pensamentos} A vida é...

Nossa vida é como uma praça com caminhos; cada qual nos leva a um lugar diferente, mas nunca tão distante um do outro, para que tenhamos a chance de voltar ao início e escolher outro caminho que nos leve a algo maior.

3.10.13

{Texto} Equilíbrio

    A natureza de alguém otimista está inteiramente baseada em vida boa e quase sem sofrimentos. Ninguém é capaz de viver sem sofrimentos, mas alguns não são significativos. Otimismo e pessimismo não deveriam ser formas caracterizantes de uma pessoa, e sim o realismo.
    Quanto mais se é otimista mais iludida a pessoa é. Quanto mais se é pessimista mais odiosa, cruel e fria essa pessoa é. Encontrar um meio termo, um ponto de equilíbrio, é a melhor opção. Nem pessimista nem otimista.
     Vivemos em um mundo cruel, cheio de malignidades, deturpado. Precisa-se de realismo. Ser otimista traz esperanças vazias e um sonho distorcido. Ser pessimista traz ódios e rancores e uma vida depressiva.
       Dizem que tudo o que é demais faz mal, e isso se aplica em todos os casos. Inclusive em pontos de vista e uma natureza psicológica.
        Tudo o que a humanidade inteira precisa é de um equilíbrio. Mas, afinal, quem não é uma dessas coisas.

23.9.13

{Poesia} Promessa Feita!

Conversamos. Pouco.
Nas o suficiente para eu saber
Que você não está bem de verdade.

Quero lhe dar um conselho.
Espero que o aceite de bom grade,
E pratique-o sempre.

Solidão e tristeza
São sentimentos ilusórios
Criados por nós.
E, como sempre, estamos errados.

Nunca estamos sozinhos.
Há sempre alguém conosco,
Nem que seja uma única pessoa.
E sempre será aquela
Que nunca se imagina seja.

Busque ser feliz.
Na maioria das vezes
A felicidade está onde menos imaginamos.
Não permita que demônios
Perturbe-o!

Quando o mundo
Virar-te as costas,
Não estará sozinho.
Estarei aqui sempre!

Cada verso
É uma parte da promessa que faço;
De nunca abandoná-lo.

{Poesia} Contigo!

Tivemos um passado juntos.
Foi um grande erro.
Tentei reparar,
Mas nossa amizade
Não foi forte o bastante.

Você se afastou.
Deixou-me com a grande amizade
Que ainda queria lhe oferecer.
Isso me deixa consternada.

Eu o amo.
Conseguiu com muita pressa
O que poucos conseguem.
Não deu valor
A esse sentimento puro.
Jogou-o na abismo que cria entre nós.

Estou cumprindo minha promessa.
Não o abandonei.
Não o deixarei sozinho.
Pode não perceber, mas precisa de mim
Mais do que imagina.

Mas, o que mais me chateia,
É você ter desistido de si mesmo.
Não percebe como é especial.
E como tem ótimas pessoas na sua vida.

Abra os olhos.
Já lhe disse isso.
Deixe de ser cabeça dura.
Aceite as coisas.

Você superará tudo isso.
Sei que pode.
Acredite nisso também.
É tão capaz quanto não imagina.

É mais forte do que pensa.
Mais maravilhoso do que não vê.
Uma ótima pessoa.

Passe por cima disso tudo.
E, volte ao meu caminho.
Apesar de tudo o que ocorreu,
Ainda o quero na minha vida.

Lembre-se da minha promessa sempre.
Você não caminha sozinho.
Estou contigo!
 

14.9.13

[Poema] Sorria Sempre!

A vida te testa.
Pessoas te machucam.
Desgraças acontecem o tempo todo.
As ilusões te enganam.

Mas, mesmo com tudo isso,
Nunca deixe de sorrir.
Pois, pessoas te amam,
Só querem ver isso.

Sorria com sinceridade.
Não com falsidade.
Faça tudo para sorrir.

Sei que está com um enorme
Sorriso ao ler isso.
E, saiba de algo importante.
Eu amo você.

30.8.13

{Resenha} Cair da Trevas - Cate Tiernan

'' Depois de 450 anos, esperava-se que Nastasya já tirasse de letra essa história de imortalidade. No último outono ela buscou o refúgio em River's Edge, uma espécie de retiro espiritual onde ela e outros imortais tentam estabelecer a paz com seu passado tortuoso. Porém, em vez disso, tudo o que Nastasya descobriu - além de que detesta acordar cedo numa cama dura para catar ovos de galinhas furiosas - é que ela não está segura em lugar nenhum. Nem mesmo ao lado do cara/viking/ deus grego mais gato do mundo. Reyn, que ela ainda não descobriu se é sua ruína ou sua última chance de ter um amor.

Nastasya conseguiu se manter bem até o Ano-Novo, mas parece que agora, depois que fez um pedido um tanto ambicioso na hora da virada, tudo está indo por água abaixo. Nada que faz dá certo, tragédias acontecem quando ela está por perto, tudo parece não ter propósito, e, pior, ela nem sabe mais por que continua sequer tentando! Como sempre soube, sua família bem de uma grande linhagem das trevas, e Nastasya já está se convencendo de que não há escapatória. Como se não bastasse, os súbitos e totalmente enlouquecedores beijos de Reyn não estão ajudando...

Mas quando Nastasya não aguenta mais a pressão e resolve fugir de tudo para seguir seu próprio rumo, ela se vê numa situação ainda mais sombria, perigosa e destruidora do que jamais pôde imaginar. River's Edge nunca pareceu tão longe, e tão agradável... ''



      Nastasya me decepcionou. Depois de tudo o que ela aprendeu com a River, teve capacidade de sair de lá e voltar para a vida ridícula dela. Pior ainda, com o Incy; mesmo depois de tudo o que ela viu e essas coisas todas. Ela deveria ter sido um pouco mais fiel ao que aprendeu. Mas gostei de vê-la crescer um pouquinho a cada capítulo. Traz algumas lições para a nossa vida. Ela ainda foi um tanto ingênua.

     Incy estava muito bonzinho. Ainda mais sabendo que ele é de causar tragédia. Estava demasiado fingido essas atitudes dele. E ele tinha falas muito gays. Estava totalmente óbvio que ele fazia e ainda bancava uma de vítima.

     Mesmo a Nastasya tendo ''fugido'' foi bacana a River aceitá-la novamente e ter guardado o tarak-sin da família dela no lugar que guarda. Mostrou-me que devo se um pouco mais paciente com as pessoas.

     Finalmente Reyn pegou a Nastasya e de jeito e ela decidiu tentar. FINALMENTE! Estava aguardando essa atitude dela.

     Aguardo ansiosamente o próximo - e último :'( - livro. Galera Record, lancem logo. A arte do livro está incrível. A capa está perfeita, adoro as fotos de capa.
A única coisa que não gosto nos livros é a grossura. Poxa, os originais tem 400 e tantas páginas e a nossa versão tem menos da metade, chega a ser meio decepcionante. Talvez muita coisa fique de fora.

Já nas livrarias custando R$30,00.
 

29.8.13

[Conto] Lição aprendida de um jeito bizarro.

    Estava sentada no banco caindo aos pedaços do ônibus. Essa tem sido minha rotina desde que mudei de escola; acordar às 4 da madrugada, arrumar-me as pressas e correr porta a fora pro ponto de ônibus perto de casa. Pegava sempre o mesmo ônibus, na ida e na volta. Assim que passava pelas duas portas o motorista já sorria alegremente para mim, devolvia o sorriso com tamanha gentileza. Passava pela catraca e sentava sempre no banco perto da porta, ao lado das janelas. Gostava de olhar para fora, viajar na música que era reproduzida nos meus fones de ouvido e pensar nas coisas. Ver a paisagem se movendo rapidamente do lado oposto da janela era cômico e fascinante, parecia que a vida seguia seu curso mais rápido, o tempo passava mais depressa. O ônibus aquela hora da tarde sempre estava vazio, com as mesmas pessoas, os mesmos rostos, as mesmas histórias. Nunca dei tanta importância em saber nada sobre essas pessoas. Conhecia seus rostos, mas nunca corri atrás para saber a história dessas pessoas. Gostava de imaginar a rotina diária delas, suas vidas. Acabava dando risada comigo mesma com as coisas estúpidas que chegava a pensar. Sentia que conhecia aquelas pessoas, mas não sabia, nem ao menos, seus nomes. O lugar ao meu lado sempre ficava vazio, geralmente colocava minha mochila ali. Minha viagem era tranquila.
    Desci, o ônibus continuou seu curso e fui para a minha casa.
    No tarde seguinte, ao passar pela catraca e olhar o banco habitual, surpreendi-me. Havia uma pessoa sentada, um garoto. Seus cabelos castanhos claros desgrenhados completava perfeitamente sua pele clara de vampiro. Seus olhos eram escuros como à noite. Não lembrava desse garoto, talvez fosse só hoje. Caminhei normalmente até o banco, pedi licença e sentei-me. Não conseguia viajar completamente nas coisas, o garoto me distraia. A música já não era mais suficiente, a paisagem já não me distraia. Peguei-me imaginando a vida do garoto, o que ele fazia? Qual era seu hobby? Seus amigos eram bons com ele? Qual era seu nome? João? Vitor? Pedro? Várias perguntas me passavam a mente. Olhei de canto para ele, seus olhos estavam vidrados em algo para fora da janela, não sabia bem o que era, poderia ser qualquer coisa. Ele se virou para me olhar, mas desviei os olhos, fingindo que não estava o olhando. Senti uma imensa vontade de falar com ele, mas era covarde, optei por simplesmente deixá-lo de lado. Convencendo-me a todo instante de que era somente aquele dia e depois, provavelmente, nunca mais o veria; a ideia me deixou triste. Balancei mínimamente minha cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Esforcei-me ao máximo para me concentrar na música, seria melhor fazer isso do que pensar no garoto.
    Meu ponto de descida se aproximara e não queria descer do ônibus, mas tive. Se pudesse desceria depois dele, mas estava totalmente atarefada. Pedi licença novamente a ele, o mesmo sorriu para mim com gentileza.
- Obrigada.
  Fiquei em pé a frente da porta, esperando o ônibus parar e descer.
- Passe-me seu número, por favor? - Ele se virara no acento e falara comigo.
- Claro. Passe-me o seu também. - Sorri para ele, trocamos números e desejando que o pneu furasse e pudessemos conversar por mais tempo. Infelizmente isso não aconteceu, desci lentamente. Assim que a porta se fechou olhei para trás e lá estava ele, sorrindo lindamente.
    Estava com livros todos espalhados pelo chão da sala, a televisão estava ligada, passava o noticiário das 22:00h, mal prestava atenção no que diziam. As vozes que saíam da TV não eram nitídas. Assim que acabei a última lição, olhei para a tela luminosa e fiquei totalmente surpresa. O ônibus a qual eu sempre pegava havia batido de frente com um caminhão desgovernado assim que saíra do ponto onde eu descia, quase todos haviam morrido. Pensei em cada rosto familiar e arrependi-me profundamente de ter sito tão negligente com aquelas pessoas. Nunca ter me interessado em suas vidas. Nunca ter saído do meu mundinho e ir confirmar o que imaginava a respeito delas. Sentei no sofá totalmente abalada, não sabendo o que fazer ou pensar. Cada rosto passava rapidamente pela minha cabeça, igual a um filme que nunca nos cansamos de ver e colocamos para rodar assim que acabamos de assistir. O rosto do menino me veio a cabeça por último, será que ele sobreviveu ao terrível acidente? Provavelmente sim, ele estava no fundo do ônibus, agarrei-me a isso desesperadamente, desejando ser a pura verdade. As fotos dos mortos era exibida, descobri ali seus nomes e idades, algo que nunca tive sequer a coragem de perguntar com essas pessoas ainda em vida. Lágrimas escapavam dos meus olhos, arrependimento preenchia-me por completo e consternação estavam brigando por espaço.
     Ao tentar ir dormir, meus sonhos eram com eles. Sempre apontando o dedo na minha cara e dizendo para eu ter feito mais. Acordava a todo instante, com o rosto molhado e a culpa pesando na minha consciência. Eu mesma me culpava por isso tudo. Obviamente não poderia ter evitado o acidente. Fui a cozinha, beberiquei o copo d'água que havia enchido, mal conseguindo engolir o líquido. Minha boca estava seca e a garganta fechada. Sentia ódio de mim mesma. Despejei o que sobrou da água na pia e voltei pro meu quarto. Buscava desesperadamente um pouco de paz.
    Dias se passaram desde o acidente e aos poucos ia me recuperando da tragédia. O belo garoto havia sobrevivido ao acidente, mas estava no hospital. Visitei-o todos os dias. Tornamo-nos grandes amigos, melhores amigos e nunca nos separávamos. Um ônibus novo substituiu o antigo e conversava com todas as pessoas de lá.
    Aquele acidente me trouxe uma grande lição. Existem muitas pessoas boas, ótimas amigas. E talvez algumas que você pode deixar mais feliz, simplesmente mostrando que se importa com ela. Nada mais esquisito que fazer isso no transporte público. Tinha meus amigos do ônibus e nada mudaria isso. Deixei de ser negligente com as pessoas e comecei a fazer tudo o que me dava vontade, menos no impulso. Não perdi a oportunidade de conhecer pessoas bacanas como aquela que havia perdido.
    Passei pelas duas portas, sorri para o motorista gentilmente.
    - Oi galera. - Gritei para todos do ônibus.
    O motorista fechou as portas e seguimos nosso caminho.
    E eu sempre com um enorme sorriso no rosto, isso eu não conseguia tirar nunca.

28.8.13

{Pensamentos} Onde está o seu tesouro?

Em cada parte da nossa vida, está uma parte do nosso tesouro; e o conjunto disso tudo, forma quem somos.

25.8.13

[Texto] Memórias


           Uma menina está deitada em sua cama, esperando ansiosamente seu sono dar as caras, a solidão está presente, deixando-a escapar um sorriso ao lembrar-se de memórias a muito esquecidas. Ao relembrar de seu ex-namorado o deseja morto, porém não seria muito mais fácil desejá-lo vivo do que morto? A morte é muito fácil, ás vezes sem dor e rápida, a vida é mais difícil. As pessoas te fazem sofrer, chorar tanto que nem o céu é capaz de fazê-lo, ferir como milhões de facas cravadas ao seu coração de uma vez, enganar-te melhor do que a própria mentira, fingir seu bem, mas esperando a oportunidade de enfiar uma faca em suas costas, quando está quase morrendo por dentro, precisando de alguém, ninguém aparece, porém quando outro precisa de alguém lhe vem pedindo sua ajuda, como se isso fosse justo, sincero e honesto. Diz de te amar com toda a vida, mas na primeira oportunidade de abandonar-te não pensa duas vezes, simplesmente te deixa como se você fosse invisível, sem importância, sem luz própria e nem existência.  

No lugar do coração tem um gelo, o mais frio de todos, nem capaz de estar sob a maior paixão de todas, do fogo mais ardente do mundo, não derrete, se fortalece na própria dor e na própria frieza e crueldade.

Seus amigos lhe passam na cabeça, pensara que não sentia tanta afinidade quanto sentira naquele momento por pessoas que ela não levaria para o resto da vida, contudo sentiria muita saudade daqueles que a fizeram companhia por uma parte de sua vida, por tanto tempo. Apesar de todo esse sentimento que sempre sentia por pessoas merecedoras e dignas de um bom sentimento, sabia que não poderia se empolgar e esperar um milagre acontecer e a vida não separá-los, enviando-os para caminhos diferentes na qual o final era o mesmo e nunca se cruzavam, simplesmente afastavam-se muito mais, com um grande abismo aberto, não podendo ser preenchido por nada, simplesmente vazio e sem vida, sem realmente importância, mas sempre bem vivo e  presente em suas vidas.

Ela acredita que levará somente um para o resto de sua, ela esperava isso mais do que esperava dos outros, é seu melhor amigo, seu guardador de segredos, confessador e íntimo. Ele é capaz de fazê-la cair na real, ficar feliz, tirar sorrisos dela de todas as formas que um amigo é capaz de fazê-lo, parar pra pensar nas coisas e não cometer tantos erros assim. Simplesmente ser feliz. Ele a amava assim como ela o amava; já se sentiam irmãos e nada mudaria isso. Brigas bobas fazem parte, mas se recuperam das poucas que têm. Nada poderia separá-los. A amizade deles seria eterna. Nunca sentira uma amizade tão verdadeira quanto aquela que compartilha com ele. Nunca sequer vira uma amizade tão forte e verdadeira em sua minuciosa vida. Ela sabia que jamais se separariam e se as pequenas chances ocorressem de fato, ele nunca a esqueceria assim como ela também nunca o deixaria cair no fundo de suas péssimas lembranças.

Dizem que a amizade é um amor que nunca morre e acredito nisso. Mais do que nunca, depois de ter uma pessoa tão maravilhosa presente em minha vida. Nunca o esquecerei. Com pensamentos felizes, finalmente a solidão a pega. E vai dormir com um enorme sorriso nos lábios. 

13.8.13

[Poesia] Irmãos

Sabe qual é a melhor coisa da vida?
Uma amizade verdadeira.
E tenho-a com você.
Isso me faz sorrir antes de dormir.

Certas coisas não conto,
Porque ainda insisto em guardar coisas para mim.
Mas, agora sinto total firmeza.
Posso dizer o que sinto sem ser magoada.

Éramos amigos.
Agora somos irmãos de sentimento.
Isso é tão estranho e diferente para mim.

Vivemos discutindo,
Todavia nunca brigamos.
Isso não é estranho e hilário?

Mas algo mudou.
Lembra-se a última vez que discutimos?
Eu não.
Finalmente estamos conversando sem discutir.

Estou em paz contigo,
Pois sei que nunca irá me magoar propositalmente.
E agora sei, que quem o fizer acertará as coisas contigo.

Por que isso não aconteceu antes?
Acho que precisava de algo desconhecido;
Felicidade.

12.8.13

[Crônica] A Pessoa Errada - Luis Fernando Veríssimo

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas. Mas nem sempre precisamos das coisas certas. Aí é à hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a horar, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira. A pessoa errada é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar a toda a vida esperando você. A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo. O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo. Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: ''Graças a Deus, deu tudo certo!'', quando na verdade, tudo o que Ele quer, é que a gente encontre a pessoa errada, para que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente.
Nossa missão: compreender o universo de casa ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.

3.8.13

[Pensamentos] O céu!

Não há nada tão bonito quanto o céu. Não há nada mais prazeroso que admirar o céu. Não é algo artificial, criado pelo homem, e sim a coisa mais natural que existe da esfera terrestre.

[Pensamentos] Afasto quem me ama.

Insistimos em afastar pessoas que nos amam de nós e aproximar pessoas que na vida, e no coração, somos indiferentes.

25.7.13

Feliz dia do Escritor!

  Para os amantes da literatura, o que seriam sem eles? Não sei lhe responder isso, mas tenho meus palpites.
   A negligência quanto a coisas importantes é grande, isso envolve os escritores. Que trabalham duro, gastam tempo e criatividade para, às vezes, simplesmente tocar o coração das pessoas e tentar amolece-los.
   O que seria de mim sem a escrita? Simplesmente uma pessoa morta. Com um enorme vazio por dentro. Um buraco no coração. Um pedaço da alma faltando. Poderia citar vários exemplos, mas creio que você já entendeu.
  Precisamos valorizar mais nossos belos escritores e sempre estimulá-los a expressar seus sentimentos com a escrita.
  Para quem escreve, um feliz dia do escritor a você e para quem lê um feliz dia de leitura. Dê parabéns ao seu escritor favorito.

  Feliz dia do Escritor!

20.7.13

[Resenha] A Travessia - William P. Young

''Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando ''acorda'', ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo.

À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.

Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará ''enxergar'' através dos olhos dos outros e conhecer suas visões do mundo, sua esperanças, seus medos e seus desafios.

Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá a coragem de fazer a escolha certa?''



No começo do livro foi impossível eu não comparar A Travessia com A Cabana, mas conforme lia página após página, a única coisa em comum com o segundo e o primeiro é a escrita do William P. Young. O especial de ambos os livros é como ficamos surpresos em como A Trindade pode aparecer em diferentes tipos de pessoas, isso acaba quebrando a ideia fixa de que Jesus, Espírito Santo e Deus são todos homens.

Achei Tony Spencer um tanto infantil para um homem de 40 anos. Em algumas de suas falas, ele parece um adolescente falando.

Maggie é tão desesperada para ter um homem ao seu lado que chega a ser ridículo e cômico. Foi hilária a cena que ela saiu correndo pela igreja gritando que estava possuída.

Tem um personagem chamado Jack. Quem é Jack? Ele apareceu do nada e some do nada. Ainda não entendi o sentido dele na história. Fiz uma pesquisa no Google, cheguei ao resultado, mas ainda não entendi quem ele realmente é.

O final foi completamente evasivo. Várias perguntas que ficaram sem resposta no final da história. Afinal, Tony morreu? Maggie casou com o cara? Lindsay foi curada? O que aconteceu com Cabby? E a Molly?

O livro é ótimo, mas o final ficou deixando a desejar.

Fiquei decepcionada com a Arqueiro também. Todos os exemplares que vi tinham ''orelinhas'' nas páginas e alguns até com cola na lombadinha. A Travessia foi o primeiro livro da editora Arqueiro que comprei e quando for comprar o próximo, terei que analisar tudo.

17.7.13

[Texto] Admirando o céu, percebi...

      Estava um lindo céu estrelado para uma noite de inverno. Atualmente, o clima anda tão louco com esses problemas ambientais que faz sol quando se devia chover. Mas, talvez deva agradecer, pois se o céu estivesse inundado por núvens pesadas e acinzentadas de chuva não poderia as enxergar. Parei um pouco com as minhas atitudes negligentes perante a bela paisagem natural que posso admirar sem pagar nada.
      Haviam três estrelas totalmente perceptíveis, elas queriam total atenção, gostavam de ser admiradas e sempre brigavam uma com a outra competindo atenção. Eram brilhantes e totalmente óbvias, seria impossível não as ver. Inicialmente eu as olhava e ficava as imaginando a milhões e milhões de quilômetros distante da esfera Terra. Sempre brilhando e brilhando, chamando total atenção para si. O que as levou a quererem tanta atenção? Ao certo, não sabia o que responder, mas estaria mentindo se não dissesse que inúmeras possibilidades passaram pela minha cabeça. Trauma, carência, falta de atenção em algum momento, etc. Será que poderia as ajudar se soubesse? A resposta estava tão clara, fechei meus olhos e estava andando as escuras procurando a saída quando já a tinha encontrado. Seria carência.
       Passei tanto tempo observando e pensando nas três estrelas carentes que cansei de simplesmente olhar para as mesmas coisas e não ver nada de diferente. Vasculhei o céu infinito que estava próximo aos meus olhos castanhos-médios e as lentes que precisava utilizar e achei uma pequena, tadinha, senti pena assim que forcei minhas vistas para a enxergar, estava quase desaparecendo. Seu brilho quase nem era perceptível se comparando as outras três. Mas, ela tinha algo que nenhuma das três luminosas carentes tinham; humildade. A pequena não queria atenção, não competia por tal, simplesmente estava lá. Brilhando para si e não para os outros. Ela estava contente consigo mesma, não se importava com as outras que roubam a atenção de todos. Será que outros já a haviam notado? Certamente, levaria essa pergunta ao travesseiro e jamais teria a resposta. Mas, pouco me importava com isso. Simplesmente, fiquei feliz por tê-la notado. Enquanto a observei, ela se ligou a mim e comunicou-se comigo de forma que nenhum ser humano jamais fizera.
       Sai da janela. O frio já era demasiado, meus dedos se movimentavam com certa dificuldade, estavam parecendo cubos de gelo. Mas, antes de virar minhas costas, prometi aos céus e a mim mesma que voltaria mais vezes para deixá-las se ligarem a mim. Deixarei de ser tão negligente com isso. Sempre arranjarei tempo para elas. Conversaria e amaria-as. Mas, principalmente ajudaria aquelas três luminosas carentes.

6.7.13

[Poesia] Amiga Verdadeira

Conhecemo-nos a pouco tempo,
Mas, será que isso representa algo?
Digo-lhe que não.

Tempo não é algo que se deve levar em consideração
Quando há demasia intimidade
Mas, acima de tudo, uma amizade com sinceridade.

Somos iguais,
com sentimentos intensos
E um vício extremo.

Já passei por   tudo isso
E quero ajudar.

Você quer ser amado,
Mas procura no lugar errado.

É tão cabeça dura,
Que não se convence da verdade.

Escrevo esses versos para você,
Meu amigo que tanto amo.
Mas, com coração insano.

E nunca se esqueça,
Que estarei aqui para ajudá-lo,
Mas, acima de tudo, para amá-lo.

26.6.13

[Resenha] Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke

'' Paris, fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se um poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondências na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais que isso, expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entro os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta da língua alemã do século XX, em algumas das suas mais pelas páginas de prosa. ''



O livro reúne 10 cartas do Rilke, e cada carta é um pedaço especial da alma do escritor. Tudo o que ele fala é lindo. A quarta carta li três vezes de tão bonita que é. Há um trecho que me identifiquei bastante e levei ao travesseiro:
''[...] Peço-lhe que tente ter amor pelas próprias perguntas, como quartos fechados e como livros escritos em uma língua estrangeira. Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas, porque não poderia vivê-las. E é disto que se trata, de viver tudo. Viva as perguntas. Talvez passe, gradativamente, em um belo dia, sem perceber, a viver as respostas.[...]''

Recomendo a qualquer um que esteja passando por qualquer situação em que a vida pregou mais uma de suas peças. Ler enquanto se é adolescente ajuda a construir opiniões sobre a vida que aprenderíamos quando adultos. Desde a primeira carta senti uma vontade de pesquisar poesias de Rilke, as coisas que ele escreve tem muita profundidade e faz-o pensar nos verdadeiros valores da vida, hoje vivemos em um mundo onde valores não existem. Será que a nossa geração não estaria melhor se lê-se esse livro e refletisse sobre o que é importante?

Fiz uma promessa a mim mesma de que lerei esse livro durante todo o processo da minha vida, pois sei que sempre assimilarei algo ali escrito a um acontecimento real em minha vida. Espero que todos que lerem esse livro, sintam o mesmo que eu e mudem seus conceitos do que é realmente viver.

 

[Poesia] Simplesmente Voe

O amigo se foi.
A paixão foi embora.
Os pensamentos mudaram.
As atitudes se tornaram de acordo.
Até o jeito de respirar mudou.

Temos a mania irritante e ridícula
De pensar que tudo o que chega ficará.
Que existe um para sempre.

Aprendi que nada na vida é permanente.
Por mais que gostamos de algo
Temos de deixar voar. Explorar novos céus.

Se é nosso e gosta-nos
Sempre voltará.
Ou até mesmo manter contato
Em sua jornada de conhecimentos.

Voe... Voe...
Mas não se esqueça de mim.
Pois você é importante.

20.6.13

[Texto]Meus sentimentos

   Nos trilhos da vida, problemas são existentes, fazem-nos ficar mais forte. Conforme mais fortes ficamos, problemas mais difíceis aparecem.
  Eu estava no meu sofrimento, sentindo-me completamente indiferente na vida daqueles que eu amo, e todas as vezes que sinto isso é tão intenso, como se não soubesse o que é. Mas, dessa vez é pior. Com a indiferença dentro do mim, você veio falar comigo. Depois de tanto me magoar, esquecer-me, fazer promessas evasivas, dar-me falsas esperanças, você surge. Ainda me pergunto, de onde? Estou tão cansada de ficar correndo atrás de você, ficar me magoando com as coisas que diz. Estava desistindo, por inteiro. Deixando você para trás, com todo o meu passado, com todo o sofrimento, pronta para viver feliz. Mas, parece que Deus o quer na minha vida. Mas, por que desse jeito? Eu já não estava bem e você apareceu para me afundar mais.
  Pensei que a essa altura da vida já era forte o bastante para encarar desafios complicados, mas parece que me escondi atrás de uma barreira impenetrável, mas ao mesmo tempo frágil. Não sei lidar com essas situações. Ninguém me conhece por inteiro, não sabem o que sou capaz de fazer, não sabem como vou agir, nem eu sei o que sou capaz de fazer e como agirei. Tenho medo de mim mesma, e evito ao máximo situações com grande intensidade. Mas, parece que essa é minha maior fraqueza. Cometi um erro tão grande assim?
  Sinto-me tão fraca, meu subconciente insiste em dizer o que não quero ouvir. Sou orgulhosa demais para pedir ajuda. Distraio-me com coisas banais para não pensar em coisas que me machuco. Odeio me sentir exposta como estou agora, dizer tudo isso é tão difícil para mim. Expor meus sentimentos desse jeito, faz com que minha mente fique paranóica. Odeio mostrar quem realmente sou. Isso é tão ridículo e estúpido que chega a ser hilário.
  Termino essas frases dizendo que sou louca e instável. Não tenho certeza se chegarei a terminar minhas missões, pois meu maior obstáculo sou eu.

15.6.13

[Texto]Nova sociedade

Vivemos em um mundo onde valores não existem mais. Mostrar partes íntimas significa ser mulher, ser reservada é ser santinha. Não concordar com a opinião da sociedade é estar errado. Honestidade, bondade, humildade quase não existem mais. Lutar pelos seus direitos é ser rebelde. Usar óculos é ser nerd. Ler livros é ser inteligênte. Ser virgem até a noite de núpcias é ser esquisito. Escrever errado é ser legal. Ser quieta é ser depressiva. Ser c.d.f. é não ter vida social. Discutir e brigar é o jeito de resolver as coisas. Mudar sua aparencia é ser bonita. Usar roupas curtas é a moda. Ouvir músicas sem fundo lógico é cultura. Oscilar qualquer um é o jeito de arrumar namorado. Ter amigos do sexo oposto é ser vadia/ pegador. Correr atrás dos seus sonhos passando por cima de todos é o jeito mais fácil - e concreto - de conseguir o que quer. Roubar é o certo. Matar covardemente por causa de miseros centavos é ser corajoso. O que é de fora é melhor. Aceitar suborno é um jeito de lucrar. Ignorar pessoas que precisam de ajuda é ser uma pessoa boa. Ser falsa é ser amiga. Julgar é falar bem. Apontar os defeitos é ser perfeito. Egoísmo é a forma de cuidar de si. Vingar-se é resolver questões mal resolvidas. Andar malvestido é ser pobre. Morar e comunidade é ser traficante. Trair é o novo jeito de amar. Sexo é prova de amor. Filhos indesejáveis é lixo. Dinheiro virou motivo de vida. Omitir ou mentir virou verdade. Ser rico é ser feliz. Tirar fotos nu(a) é diversão. Usar drogas é a forma de se livrar da realidade pavorosa e triste. Morte de artista o faz ser famoso. Não conhecer o tipo sanguineo do seu ídolo é ser poser. Bater na esposa/marido é resolver o desentendimento. Casamento é fútil e estúpido. Ter amizade com ex-namorado é feio. ''Delícia'' e ''Gostosa'' viraram elogio. Pensar por si só é ser anormal. Viver na pressa é viver bem. Ser um homem religioso é ser Deus. Estuprar é hobby. Namorar pessoas mais velhas é ser maduro. Fingir ser alguém é ser você mesmo. Amar pessoas do mesmo sexo é normal. Popularidade é tudo. Alimentar-se bem é ser estúpido. Ficar horas em frente a tela de um eletrônico é passar o tempo.
Afinal, que sociedade é essa?