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''Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim,
e ter paciência para que a vida faça o resto.''
(William Shakespeare)

17.7.13

[Texto] Admirando o céu, percebi...

      Estava um lindo céu estrelado para uma noite de inverno. Atualmente, o clima anda tão louco com esses problemas ambientais que faz sol quando se devia chover. Mas, talvez deva agradecer, pois se o céu estivesse inundado por núvens pesadas e acinzentadas de chuva não poderia as enxergar. Parei um pouco com as minhas atitudes negligentes perante a bela paisagem natural que posso admirar sem pagar nada.
      Haviam três estrelas totalmente perceptíveis, elas queriam total atenção, gostavam de ser admiradas e sempre brigavam uma com a outra competindo atenção. Eram brilhantes e totalmente óbvias, seria impossível não as ver. Inicialmente eu as olhava e ficava as imaginando a milhões e milhões de quilômetros distante da esfera Terra. Sempre brilhando e brilhando, chamando total atenção para si. O que as levou a quererem tanta atenção? Ao certo, não sabia o que responder, mas estaria mentindo se não dissesse que inúmeras possibilidades passaram pela minha cabeça. Trauma, carência, falta de atenção em algum momento, etc. Será que poderia as ajudar se soubesse? A resposta estava tão clara, fechei meus olhos e estava andando as escuras procurando a saída quando já a tinha encontrado. Seria carência.
       Passei tanto tempo observando e pensando nas três estrelas carentes que cansei de simplesmente olhar para as mesmas coisas e não ver nada de diferente. Vasculhei o céu infinito que estava próximo aos meus olhos castanhos-médios e as lentes que precisava utilizar e achei uma pequena, tadinha, senti pena assim que forcei minhas vistas para a enxergar, estava quase desaparecendo. Seu brilho quase nem era perceptível se comparando as outras três. Mas, ela tinha algo que nenhuma das três luminosas carentes tinham; humildade. A pequena não queria atenção, não competia por tal, simplesmente estava lá. Brilhando para si e não para os outros. Ela estava contente consigo mesma, não se importava com as outras que roubam a atenção de todos. Será que outros já a haviam notado? Certamente, levaria essa pergunta ao travesseiro e jamais teria a resposta. Mas, pouco me importava com isso. Simplesmente, fiquei feliz por tê-la notado. Enquanto a observei, ela se ligou a mim e comunicou-se comigo de forma que nenhum ser humano jamais fizera.
       Sai da janela. O frio já era demasiado, meus dedos se movimentavam com certa dificuldade, estavam parecendo cubos de gelo. Mas, antes de virar minhas costas, prometi aos céus e a mim mesma que voltaria mais vezes para deixá-las se ligarem a mim. Deixarei de ser tão negligente com isso. Sempre arranjarei tempo para elas. Conversaria e amaria-as. Mas, principalmente ajudaria aquelas três luminosas carentes.

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