Páginas

''Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim,
e ter paciência para que a vida faça o resto.''
(William Shakespeare)

13.12.13

{Texto} O Tempo Psicológico

     Sua casa é grande demais para a solidão que a cerca. Cada cômodo da casa traz um tempo diferente. Nas paredes estão escritas as memórias vividas em todas as suas tinturas; quando descascam as memórias ainda continuam sobressaltadas e as mágicas palavras se sobressaem em cada nova página que é fixada em algo pronto para ser escrito. A cada parede um pedaço da sua tragédia existente.
     Na cozinha, a época educada, gentil e simples do tempo de 1955. Seu marido e ela estavam casados há apenas alguns poucos anos quando receberam a notícia de que teriam um filho. Lembra-se que estava sentada na cadeira de madeira. Ansiosa, nervosa, impaciente e, principalmente, feliz. Aguardava inquieta seu marido chegar para lhe contar a boa nova. Passaram-se minutos, que mais pareceram horas, e seu marido finalmente  chegara. Ao lhe contar a notícia ficou parado por alguns segundos, depois sorriu e beijaram-se apaixonadamente.
     Na sala, o que mais marcou foi o período de gestação. As noites na qual ficaram sós, ele com a mão em sua barriga, contando como havia sido seu dia e ela com a mão repousada por cima da dele, ouvindo alegremente suas situações.
     No banheiro, ela o tinha visto muitas vezes tomando seu banho e relaxando seus nervos que ficavam em frangalhos quando algo não dava certo.
     No quarto, as memórias são mais emocionantes. Passaram as noites conversando e fazer planos para o futuro de sua família. Nas noites que faziam amor, entregavam-se em sua totalidade ao outro e logo não existiam dois, mas sim um somente.
     O quarto rosa, como esquecia do amor gerado de seu próprio ventre?! O nascimento de sua filha foi um dos dias mais felizes. Sua infância imaginária, sua adolescência complicada e o período depressivo e triste a qual fora arrancada no auge de sua vida por um crápula que viu uma mulher para tentar roubar-lhe. Ela nunca superou a morte de sua filha. Chorou por dias e quando finalmente estava começando a melhoras, perdera seu marido. Uma doença rara, sorrateira e sem cura o pegou e levou-o para longe dela.
     Já completamente desolada, deitou-se em sua cama e dormiu. Mas não percebera que dormiria para sempre. Seu coração não aguentando tanta dor e angústia que acabou parando, fazendo assim com que sua alma seja liberta e reencontrando sua família.

Nenhum comentário: