Num fim de tarde frio, um homem andava por uma estrada sem fim.
A ideia de ter que andar mais do que planejava o incomodava profundamente, mas era sua única alternativa.
Andava e andava...
Cansado e desamparado não via outra solução a não ser continuar a andar.
Sua vida sempre passando como filme em sua mente. As atitudes infantis e imaturas que tomou. O que mudaria em sua vida e o que não mudaria. Seus erros e suas decisões. Seu período de definir sua vida a partir de um tempo. Sua adolescência. Sua infância. Um período de boa vida, sem responsabilidades e preocupações.
A noite caiu, cansado e faminto decidiu parar a beira da estrada sem fim. Com os instintos de sobrevivência mais aguçados, montou uma fogueira e procurou algo para comer.
Deitou-se então e admirando as bolas explosivas no céu. Com a bela paisagem, logo adormeceu.
Os raios de sol já incomodava seus olhos. Sinal de que a manhã dizia estar presente. Revirou-se e revirou-se até, finalmente, levantar-se. Esfregou as costas das mãos nos olhos e logo tratou-se de levantar. Arrumou as poucas coisas que tinha e seguiu viagem.
A estrada era a beira de uma floresta fechada, não existiam bifurcações ou caminhos alternativos. Só existe o famoso em frente.
Depois de três dias e duas noites seguindo em frente, não vendo ou tomando outro caminho, uma paisagem muda. Ao longe uma enorme encruzilhada. Dividida em três caminhos. Já pensando qual caminho pegar não conseguia decidir.
"Pego o primeiro e vejo no que dá", "Não, pego o segundo. Pode dar em um lugar diferente", "não, pego o terceiro, pode dar num lugar melhor", "mas, o segundo eu posso gostar"... E assim os pensamentos iam invadindo sua mente.
Ao chegar na encruzilhada, ainda indeciso sobre qual caminho pegar, interrompeu a caminhada. Seus olhos iam de um ao outro. Tentou enxergar além de cada curva, mas a vista era massante.
Indeciso, permaneceu no mesmo lugar durante um mês até que o anjo da morte o pegou. Seu cadáver indeciso continuou no mesmo lugar até virar pó e fazer parte da paisagem.
Dizem que sua alma ainda está no mesmo lugar, ainda tentando tomar sua decisão.
Não se sabe a identidade nem a idade, mas se sabe seu castigo.
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