O poço era grande, escuro, maldoso, sem saída e principalmente trancado a sete chaves. O desespero tomou conta de mim. A esperança de que um dia sairia dessa grande escuridão era quase extinta, nunca acreditei que sairia sozinha; estava certa.
Esperei por muitos, confiei em pessoas erradas, mas a hipocrisia era tamanha que o falso sentimento de amizade era implícito, só eu não percebi.
Aguardei ajuda, mas só afundei mais. Não tinha mais no que segurar. Fechei meus olhos e continuei caindo buraco negro a fundo, desistindo de que um dia sairia dali. Os humanos só olhavam, comentavam entre si, e não me estendiam a mão para me ajudar.
A luz não era mais visível, só o que podia se ver era a escuridão, sangue saindo dos meus pulsos, correntes lacrando qualquer abertura pela qual poderia passar e grandes cadeados. O único som audível era o silêncio, o sussurros de palavras dizendo:
- Você sabe como acabar com isso.
- Ninguém irá perceber.
- Por que ainda insiste?
- Acabe logo com isso.
- Ninguém gosta de você.
- Para que você existe?
- Qual é o sentido disso tudo?
Estava a um ponto de querer fazer isso. Fazer esse maldito mundo acabar. Dar um ponto final a isso. Quem iria me ajudar? Sou uma pessoa insignificante.
Quando a esperança desaparecera algo acontecera. Um barulho alto fora ouvido. Era quase impossível não ouvir, era tudo tão silencioso, dava-se para ouvir qualquer coisa.
Uma figura se aproximava rapidamente. Sem eu perceber pegou minha mão e foi me conduzindo lentamente a saída mais distante. Quando dei conta da situação, já não estava dentro daquele poço. Uma luz, uma bela paisagem, mas, acima de tudo, luz.
Andei e andei. Apreciei as paisagens que via, todo o bem-estar que sentia. Felicidade era visível e, às vezes, preenchia-me por completo. Apreciava com toda a admiração que podia sentir.
Mas, não durou muito.
Logo me vi sem luz para admirar. E tudo o que via e sentia era escuridão. Poderia haver escuridão mais escura que a própria escuridão? Talvez. A minha.
A figura tentava se aproximar. Chamava-me com desespero.
- Segure! Não desista! -gritava e gritava. Não a ouvia tão audivelmente, somente um sussurro diferente no meio de gritos iguais.
Num primeiro momento, culpei algo desconhecido por não conseguir alcançar a figura, mas logo me culpei, pois não queria sair do poço maldoso e totalmente conhecido. Não gosto de coisas desconhecidas.
Não existiam mais esperanças para mim. Caí mais fundo e não queria sair. Passei tempo demais culpando algo que não conhecia, mas deveria ter passado todo esse tempo culpando a mim mesma.
Fechei meus olhos, abri meus braços e preparei-me para cair mais e morrer.
- Não desista! Segure! Segure! - gritava e berrava a figura. - Por favor!
- É tarde demais para mim. Não tenho mais armas para lutar. Só posso me entregar. Desculpe. Perdeu tempo e esforço, não queria que tivesse se dado a tal trabalho. - olhei para ele. Sua expressão era de pura consternação e desespero - Desculpe! - gritei.
Deixei a morte terminar de me destruir. Não haveria muito trabalho. Não sobrou nada. A dor não era muita. Nada pior do que meu miocárdio já não havia sentido.
Não durou muito tempo. Logo já não tinha mais consciência de nada. Tudo passou como um sonho distante, que desaparecera como fumaça.
- Você foi fraca e desistiu. Não tentou lutar. Sua fraqueza será marcada em ti. - sussurrou uma voz que não conhecia.
E pouco importava, eu já havia morrido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário